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Mostrando postagens de fevereiro, 2018

Do fundo do baú 05: Morno

Não és quente que me queime, Nem frio que me congele. És morno, apenas morno! Todo canto da minha festa, Todo luto do meu coração Você olha e despreza Nem defunto, nem folião. E o amor que lhe quero dar? E todo ódio a nos espreitar? Você com terna amizade Quer tentar me consolar? Nem chama que me aquece Nem gelo que me congele Ar morno que a todos agrada E que a mim não serve de nada! Não nascestes para o amor, Frio ou quente jamais serás: Nascestes para ser morno E morno ficarás! Limeira, 08 de abril de 2002 16h55min.

Do fundo do baú 04: Poema sem título

Fosse por mim O mundo acabaria neste momento E eu guardaria no meu peito O brilho do seu olhar. Se eu pudesse Eternizaria estes segundos Em que o êxtase profundo Brota de minha alma num único beijo. Esqueceria que é pecado, Desfaria meus conceitos, Aceitaria meus defeitos E me entregaria a você. Se este mundo não nos julgasse, Se as paixões não se acabassem, Se permitissem o amor sem conveniências, Se eu suspendesse minhas crenças E não tivesse medo de amar. Talvez os seus olhos não fugiriam dos meus E não me diriam "Adeus, eu não posso te amar". Limeira, 22 de fevereiro de 2002. (Esse é um dos meus favoritos... ❤)

Do fundo do baú 03: Tudo ou nada

Minha vida e meis conceitos, São seu tudo, São meu nada, Nesse infeliz paradoxo Construí a minha estrada. Firmando meus passos no tudo, Afastou-se de mim o seu nada, Como sempre companheiros, Tive em tudo o seu tudo, Não quis nada do seu nada. Como o tempo se encarrega de as confusões explicar, Percebi que o tudo era pouco E que o nada não poderia me dar. Vivendo essa agonia Cheguei a uma conclusão: Sem tudo morre-me a alma, Sem nada, o coração. Amarrada a esse destino, Não sei que passos tomar. Você não caminha sozinho, Sem você não consigo andar. Vou vivendo minha vida, Já não sei o que querer: Tendo o nada, perco o tudo. Tendo tudo, perco você. Limeira, 22 de março de 2002. (Certo, é sofrência também... )

Fundo do baú 02: O relógio

Já  era madrugada. Na casa todos dormiam, Mas alguém me questionava. Vinha de perto, Tocava bem lá no fundo. Constante - inconstante, Certeza - incerteza, Ser ou não ser? Ir ou ficar? Maldita dúvida na minha alma, Maldito relógio Tic-tac, tic-tac. Limeira, 22 de março de 2002. (Reconheço,  esse tem algum valor poético)

Fundo do baú 01: Eu gosto de você

Eu gosto de você Todas as noites, todas as vezes que o vejo. Eu gosto de você Quando sozinha ouço nossa música tocar. Eu gosto de você quando o vento toca a minha pele E me lembra da noite de agosto em que te conheci. Eu gosto de você Quando o cheiro da graxa me deixa alucinada, Quando simples palavras me deixam maluca E transformam meu tudo em nada. Eu sei que gosto de você Com essa bermuda florida, Com essa barba por fazer, Com todo esse fascínio Que só encontrei em você. Eu gosto do seu jeito estranho De gostar pela metade. Desta sua sinceridade, Que machuca sem doer. Eu seique  gosto de você, Pois nos meus lábios ainda está cravado O gosto do doce pecado, Que é errado, mas dá prazer. Eu gosto de você. Aqui ou em qualquer lugar A luz dos seus olhos me guia para o abismo, Mas me eleva aos céus em questão de segundos, Sem precisar de mais nada para ser feliz. Eu gosto de você, Mesmo quando não o vejo. Eu gosto muito de você, mesmo não o tendo....

Do fundo do baú

Organizando os livros hoje, encontrei alguns poemas e contos de 2002... Sim, naquela longínqua época, eu escrevia poemas... Para descartar de vez esses papéis  (olha, já tentei fazer isso mil vezes), vou postar aqui os textos, e me despedir, um pouco por vez, da adolescência que se foi. Minha homenagem póstuma à fase mais loucamente apaixonante da vida de qualquer ser humano.